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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Abandono nas mãos de Deus

J.M. + J.T.

Olá, pessoal!

Esses dias eu estava conversando com uma amiga que está se formando comigo. Partilhávamos um pouco dos medos e anseios que estamos vivendo, com a proximidade da formatura e as incertezas para o próximo ano. Então, encontrei essa oração escrita por um frade trapista, chamado Thomas Merton, falando sobre o abandono nas mãos de Deus, e gostaria de partilhar com vocês:


Senhor Deus,
Não tenho a menor idéia de para onde estou indo,
Não enxergo o caminho à minha frente,
Não sei ao certo onde irá dar esse caminho.
Também não conheço verdadeiramente a mim mesmo,
E o fato de que penso que estou seguindo a Tua vontade
Não significa que realmente esteja seguindo a Tua vontade.
Mas acredito que o meu desejo de Te agradar
Realmente Te agrada.
E espero ter esse desejo em tudo o que fizer,
Espero nunca me afastar desse desejo.
Sei que, se assim o fizer,
Tu me guiarás pelo caminho correto
Embora eu possa nem saber que o estou trilhando.
Assim, confiarei sempre em Ti
Embora eu pareça estar perdido
E caminhando na sombra da morte.
E não temerei, porque Tu estás sempre comigo
E nunca deixarás que eu enfrente os perigos sozinho.

(Thomas Merton, Na Liberdade da Solidão)



Abandonar-se nas mãos de Deus é um desafio... Nas horas de dúvidas, medos e incertezas, muitas vezes acabamos nos sentindo sozinhos, e esquecemos que se Deus partilha de nossa vida, Ele participa também desses sentimentos ruins. Aliás, o próprio Cristo deve ter se sentido assim durante sua vida terrena muitas vezes. Então fica o convite a entregar tudo nas mãos de Deus, e ter essa confiança cega que os santos têm em Deus.

Um abraço a todos!

sábado, 27 de setembro de 2008

A Virgem Maria e o Abandono a Deus

J.M. + J.T.

Olá pessoal!


Ontem comentamos aqui no blog sobre a solidão. E como nas outras virtudes, a Mãe de Deus serve de exemplo e caminho seguro.

Em Nossa Senhora, contemplamos a perfeição da solidão, não no sentido de afastamento das pessoas, mas o abandono nas mãos de Deus. Isso se torna claro já no momento da Anunciação, em que Maria deixa de lado seus próprios planos e desejos, para entregar-se ao projeto de Deus: "Faça-se em mim segundo a Tua vontade" (Lc 1,38). Também podemos citar aqui o episódio em que Jesus se perde no Templo: o Evangelho diz que Maria "guardava todas essas coisas em seu coração" (Lc 2,51), ou seja, ela era uma pessoa com profunda vida interior, que ao invés de se assustar diante dos problemas, os entrega nas mãos de Deus. Somente uma pessoa profundamente unida a Deus é capaz de tal grau de confiança.

Mas um outro episódio importante em nossa reflexão é o da crucificação de Jesus. O Evangelho diz que Maria permanecia em pé junto da cruz (Jo 19,25). Essa expressão "em pé" significa que ela não caiu em desespero, mas soube suportar a dor de mãe reconhecendo ali a concretização do projeto de Deus. Essa é a grande solidão de Maria: ela se despoja tanto de si mesma, que ao longo de toda a sua vida deixou de lado seus projetos, seus sentimentos, suas dores, para que a vontade do Pai fosse realizada.

Também precisamos lembrar que, ao longo da história, a presença de Maria na Igreja sempre foi importante, mas ela nunca chamou a atenção para si. Veja-se, por exemplo, as aparições de Nossa Senhora reconhecidas pela Igreja: ela nunca acrescenta nada à mensagem de Deus, mas sempre apela para que as pessoas ouçam as palavras de seu Filho e se agarrem à oração.

Enfim, Maria foi uma pessoa que viveu profundamente unida a Deus, tal como São Paulo: "Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim" (Gal 2,20). Que o exemplo dela nos anime a abandonar nossa vida nas mãos de Deus, aceitando Sua vontade sempre acima de tudo.

Um grande abraço a todos!