segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Advento

J.M. + J.T.

Olá, pessoal!

Em primeiro lugar, gostaria de pedir desculpas a quem acompanha nosso blog regularmente. Vocês devem ter percebido que ficamos alguns dias sem postar, mas acredito que todos entendam como é essa rotina de final de ano: provas finais, correria, etc. Mas felizmente tivemos uma folga, e aos poucos vamos voltar ao funcionamento normal do blog. :)

Ontem iniciamos o tempo do Advento, que inicia o Ano Litúrgico de 2009. Esse fato é significativo, pois a liturgia inicia exatamente com o nascimento de Jesus, ou melhor, com a espera pelo nascimento.

Como todos devem saber, o Advento é um tempo de preparação para o Natal. Durante ele, a liturgia nos propõe que nos coloquemos na posição do povo de Israel, que estava aguardando o Menino prometido há muito tempo. As leituras, salmos e evangelhos terão como foco principal o projeto de Salvação de Deus, que passava pela vinda do Seu próprio filho. Como símbolo desse tempo, usa-se nas Igrejas a Coroa com as 4 velas, simbolizando os 4 domingos de espera pelo Natal.

Gostaria de citar um breve trecho da 1ª leitura da Missa de ontem, no qual o profeta Isaísas comenta sobre essa vinda:

"Ah! se rompesses os céus e descesses! As montanhas se desmanchariam diante de ti.
Desceste, pois, e as montanhas se derreteram diante de ti. Nunca se ouviu dizer nem chegou aos ouvidos de ninguém, jamais olhos viram que um Deus, exceto tu, tenha feito tanto pelos que nele esperam." (Is 63,19b; 64,2b-3)

Ao longo da história do Povo de Israel, Deus se manifesta de diversas formas. Às vezes as pessoas seguem seus ensimantos, mas depois de um tempo acabam deixando-O de lado e adorando falsos ídolos. Novamente, Deus torna a falar, e a história se repete. O profeta Isaías se mostra de certa forma surpreso com a insistência de Deus, pois ele achava que Deus poderia se cansar e virar as costas para nós. Mas isso não acontece! Pelo contrário, cansado de não ser ouvido, Deus resolve vir ao nosso encontro, e falar diretamente, "andando conosco no Cristo, falando conosco por Ele", como diz uma das Orações Eucarísticas.

A mensagem que podemos tirar disso para esse Advento é que Deus não se cansa de nós, jamais! Nós, sim, cansamos de nós mesmos. Muitas vezes acabamos desanimando e desistimos de buscar o que queremos. Acabamos nos acomodando, e pensamos que nunca conseguiremos ser santos. Mas Deus nunca desiste de se comunicar conosco! E mais: quanto mais o tempo passa, mais direta é a forma com que Ele se comunica conosco.

Que nesse Advento possamos deixar nosso coração aberto às formas com Deus se comunica conosco, e que ouvindo Sua voz, tenhamos coragem de fazer a Sua vontade.


Um grande abraço, e um santo Advento a todos!

sábado, 15 de novembro de 2008

Discrição, a moderadora das virtudes

J.M. + J.T.

Olá!

Gostaria de trazer hoje para nossa reflexão o parágrafo 22 da Regra do Carmelo. Após explicar os princípios fundamentais da vida dos frades carmelitas, o autor da Regra traz o seguinte conselho:

"Se alguém estiver disposto a fazer mais, o Senhor mesmo, quando voltar, o recompensará (cf. Lc 10,35). Aja-se, contudo, com discrição (cf. Pr 19,2), que é a moderadora das virtudes."

Muitas vezes em nossa vida acabamos pautando nossas virtudes pelos valores mínimos. Costumamos, por exemplo, dizer que os Carmelitas têm que rezar diariamente as três Ave-Marias do Escapulário, ou que os católicos devem ir à Missa todos os domingos, mas esquecemos de falar que não somos proibidos de fazer mais do que isso. É disso que esse parágrafo da regra está falando: será que estamos vivendo as virtudes no limite máximo que conseguimos, ou estamos fazendo só aquilo que é de obrigação?

Quem faz o mínimo, não está errado, mas todos fazem a mesma coisa. Se quisermos ser santos, e esse é o objetivo de toda espiritualidade, precisamos fazer algo que nos destaque dos demais. Podemos, por exemplo, lembrar que Jesus perguntou a Pedro se ele O amava mais do que os demais (cf. Jo 21,15). Para a grande missão que estava reservada a Pedro, o amor comum não bastaria, ele precisava ter um sentimento especial por Jesus. E com todos os santos foi assim.

Mas por outro lado, existe também o perigo do "exagero" das virtudes. Claro, virtudes puras nunca são exageradas, mas podemos acabar misturando as coisas. Por exemplo, eu posso imaginar que a oração é uma virtude tão importante que resolvo dedicar a ela todo o tempo que tenho. Com isso, acabo não estudando, não fazendo minhas tarefas adequadamente, nem tendo um relacionamento decente com minha família e meus amigos. Obviamente a falha não está na virtude da oração, mas na minha maneira de vivê-la. Por isso Santo Alberto recomenda a discrição, que segundo ele é a moderadora das virtudes.

Discrição significa que não podemos nos dedicar a uma única virtude, esquecendo o nosso modo próprio de vida, como leigos. Precisamos nos dedicar à oração, à caridade, à humildade, etc. Discrição pode também ser entendida como bom-senso: uma dessas virtudes não pode prejudicar às demais, senão ela não é uma virtude sincera.

Ainda há um aspecto sobre a vivência das virtudes que precisamos olhar com cuidado. Cada um de nós tem uma maneira de viver cada virtude, e não podemos julgar os outros de acordo com o que é bom para nós. Por exemplo, se alguém costuma rezar diariamente o Rosário inteiro, não tem o direito de desprezar quem reza apenas uma dezena. O importante é que cada um se esforce ao máximo nas suas virtudes, mas não há um parâmetro que sirva para todos. Aqui cabe o exemplo das taças, que aparece na História de uma Alma, de Santa Teresinha: cada um de nós tem um copo de um tamanho, uns maiores, outros menos. O importante é que cada um procure encher o seu copo, sem se preocupar em compará-lo com os copos dos outros.

Que durante essa semana possamos olhar nossa vida de maneira crítica, percebendo os pontos onde podemos nos dedicar um pouco mais, e construindo a cada dia esse amor especial por Cristo e sua Igreja!

Um grande abraço, e uma boa semana a todos.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Abandono nas mãos de Deus

J.M. + J.T.

Olá, pessoal!

Esses dias eu estava conversando com uma amiga que está se formando comigo. Partilhávamos um pouco dos medos e anseios que estamos vivendo, com a proximidade da formatura e as incertezas para o próximo ano. Então, encontrei essa oração escrita por um frade trapista, chamado Thomas Merton, falando sobre o abandono nas mãos de Deus, e gostaria de partilhar com vocês:


Senhor Deus,
Não tenho a menor idéia de para onde estou indo,
Não enxergo o caminho à minha frente,
Não sei ao certo onde irá dar esse caminho.
Também não conheço verdadeiramente a mim mesmo,
E o fato de que penso que estou seguindo a Tua vontade
Não significa que realmente esteja seguindo a Tua vontade.
Mas acredito que o meu desejo de Te agradar
Realmente Te agrada.
E espero ter esse desejo em tudo o que fizer,
Espero nunca me afastar desse desejo.
Sei que, se assim o fizer,
Tu me guiarás pelo caminho correto
Embora eu possa nem saber que o estou trilhando.
Assim, confiarei sempre em Ti
Embora eu pareça estar perdido
E caminhando na sombra da morte.
E não temerei, porque Tu estás sempre comigo
E nunca deixarás que eu enfrente os perigos sozinho.

(Thomas Merton, Na Liberdade da Solidão)



Abandonar-se nas mãos de Deus é um desafio... Nas horas de dúvidas, medos e incertezas, muitas vezes acabamos nos sentindo sozinhos, e esquecemos que se Deus partilha de nossa vida, Ele participa também desses sentimentos ruins. Aliás, o próprio Cristo deve ter se sentido assim durante sua vida terrena muitas vezes. Então fica o convite a entregar tudo nas mãos de Deus, e ter essa confiança cega que os santos têm em Deus.

Um abraço a todos!

Correção Fraterna

J.M. + J.T.

Olá, pessoal!

No parágrafo 13 da Regra do Carmo, encontramos um tema bastante delicado: a correção fraterna dos irmãos. O texto diz assim:

"Assim também nos domingos ou em outros dias se for necessário, reuni-vos para tratar da observância na vida comunitária e do bem espiritual das pessoas. Nesta ocasião, corrijam-se com caridade as transgressões e as culpas que forem encontradas em algum dos irmãos".

Para compreendermos corretamente esse texto, precisamos primeiramente lembrar que os monges formavam uma comunidade muito unida, e que tudo em sua vida tinha como objetivo ao crescimento comum. Por isso a regra fala em "bem espiritual das pessoas", ou seja, crescimento espiritual de toda a comunidade. O crescimento de um frade leva ao crescimento de todos, e o pecado de um também pertence a todos: essa é a comunhão dos santos, de que São Paulo fala em suas cartas, e que rezamos no Creio.

Nós, leigos, também temos a vocação da vida em comunidade: seja nos grupos de jovens, grupos de oração, ou na comunidade paroquial. Assim, precisamos também ter essa percepção de que as falhas de um membro da comunidade acabam prejudicando ao grupo todo, e por isso precisamos ter coragem de nos corrigir uns aos outros. Mas é claro que também precisamos ter humildade de aceitar quando somos corrigidos.

Jesus dá pelo menos dois ensinamentos importantes sobre a correção. O primeiro é que antes de olhar as falhas dos outros devemos olhar para as nossas próprias. Isso é importante para que o discurso de quem corrige não seja vazio, mas tenha um sentido profundo. O outro é sobre a maneira de corrigir: Jesus diz que quando corrigimos e a pessoa não ouve, devemos buscar uma testemunha, e depois levar a situação aos anciãos. Isso é uma forma de dizer que não podemos usar a correção para humilhar ninguém ou para nos orgulhar: as testemunhas e os anciãos servem tanto para observar a postura de quem corrige como de quem ouve.

Sabemos que a correção é um verdadeiro desafio, mas precisamos dela para que nossa comunidade possa crescer. Acima de tudo, não podemos fingir que não vemos as falhas dos outros, pois seria omissão. Mas também devemos cuidar muito antes de sair por aí apontando as falhas das pessoas, pois podemos estar sendo motivamos por orgulho ou vontade de humilhar os outros. Acima de tudo, a correção deve ser motivada pela caridade e pelo desejo sincero de crescimento espiritual de nossa comunidade. Como nas outras dicas do Evangelho, a oração deve nos guiar nesse caminho, mostrando sempre como proceder em cada situação.

Que o exemplo dos monges primitivos nos ensine a perceber que ninguém caminha sozinho na vida espíritual e que somente comunidades fortes e unidas podem levar ao crescimento individual de seus membros.

Um grande abraço, e uma boa semana a todos!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Senequita!!!


J.M + J.T.


Mais um Senequita chega ao fim!! Ficam as lembranças dos bons momentos, a saudade de cada um, os novos ensinamentos adquiridos...




Em breve postaremos fotos e parte do material das palestras!!

Um abraço a Todos!!!

sábado, 25 de outubro de 2008

Senequita!!

J.M. + J.T.

Olá Pessoal,

Nesta sexta-feira teve início do 13º Senequita em Florianópolis!!
Damos as boas vindas a todos retirante e Freis vindos de Florianópolis, Curitiba, Porto Alegre, Passo Fundo e Rio Grande...

Postarei depois comentarios e o material deste encontro que este ano é dedicado a Santa Teresinha....

Que tenhamos um abençoado retiro...

Um abraço!