segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Advento

J.M. + J.T.

Olá, pessoal!

Em primeiro lugar, gostaria de pedir desculpas a quem acompanha nosso blog regularmente. Vocês devem ter percebido que ficamos alguns dias sem postar, mas acredito que todos entendam como é essa rotina de final de ano: provas finais, correria, etc. Mas felizmente tivemos uma folga, e aos poucos vamos voltar ao funcionamento normal do blog. :)

Ontem iniciamos o tempo do Advento, que inicia o Ano Litúrgico de 2009. Esse fato é significativo, pois a liturgia inicia exatamente com o nascimento de Jesus, ou melhor, com a espera pelo nascimento.

Como todos devem saber, o Advento é um tempo de preparação para o Natal. Durante ele, a liturgia nos propõe que nos coloquemos na posição do povo de Israel, que estava aguardando o Menino prometido há muito tempo. As leituras, salmos e evangelhos terão como foco principal o projeto de Salvação de Deus, que passava pela vinda do Seu próprio filho. Como símbolo desse tempo, usa-se nas Igrejas a Coroa com as 4 velas, simbolizando os 4 domingos de espera pelo Natal.

Gostaria de citar um breve trecho da 1ª leitura da Missa de ontem, no qual o profeta Isaísas comenta sobre essa vinda:

"Ah! se rompesses os céus e descesses! As montanhas se desmanchariam diante de ti.
Desceste, pois, e as montanhas se derreteram diante de ti. Nunca se ouviu dizer nem chegou aos ouvidos de ninguém, jamais olhos viram que um Deus, exceto tu, tenha feito tanto pelos que nele esperam." (Is 63,19b; 64,2b-3)

Ao longo da história do Povo de Israel, Deus se manifesta de diversas formas. Às vezes as pessoas seguem seus ensimantos, mas depois de um tempo acabam deixando-O de lado e adorando falsos ídolos. Novamente, Deus torna a falar, e a história se repete. O profeta Isaías se mostra de certa forma surpreso com a insistência de Deus, pois ele achava que Deus poderia se cansar e virar as costas para nós. Mas isso não acontece! Pelo contrário, cansado de não ser ouvido, Deus resolve vir ao nosso encontro, e falar diretamente, "andando conosco no Cristo, falando conosco por Ele", como diz uma das Orações Eucarísticas.

A mensagem que podemos tirar disso para esse Advento é que Deus não se cansa de nós, jamais! Nós, sim, cansamos de nós mesmos. Muitas vezes acabamos desanimando e desistimos de buscar o que queremos. Acabamos nos acomodando, e pensamos que nunca conseguiremos ser santos. Mas Deus nunca desiste de se comunicar conosco! E mais: quanto mais o tempo passa, mais direta é a forma com que Ele se comunica conosco.

Que nesse Advento possamos deixar nosso coração aberto às formas com Deus se comunica conosco, e que ouvindo Sua voz, tenhamos coragem de fazer a Sua vontade.


Um grande abraço, e um santo Advento a todos!

sábado, 15 de novembro de 2008

Discrição, a moderadora das virtudes

J.M. + J.T.

Olá!

Gostaria de trazer hoje para nossa reflexão o parágrafo 22 da Regra do Carmelo. Após explicar os princípios fundamentais da vida dos frades carmelitas, o autor da Regra traz o seguinte conselho:

"Se alguém estiver disposto a fazer mais, o Senhor mesmo, quando voltar, o recompensará (cf. Lc 10,35). Aja-se, contudo, com discrição (cf. Pr 19,2), que é a moderadora das virtudes."

Muitas vezes em nossa vida acabamos pautando nossas virtudes pelos valores mínimos. Costumamos, por exemplo, dizer que os Carmelitas têm que rezar diariamente as três Ave-Marias do Escapulário, ou que os católicos devem ir à Missa todos os domingos, mas esquecemos de falar que não somos proibidos de fazer mais do que isso. É disso que esse parágrafo da regra está falando: será que estamos vivendo as virtudes no limite máximo que conseguimos, ou estamos fazendo só aquilo que é de obrigação?

Quem faz o mínimo, não está errado, mas todos fazem a mesma coisa. Se quisermos ser santos, e esse é o objetivo de toda espiritualidade, precisamos fazer algo que nos destaque dos demais. Podemos, por exemplo, lembrar que Jesus perguntou a Pedro se ele O amava mais do que os demais (cf. Jo 21,15). Para a grande missão que estava reservada a Pedro, o amor comum não bastaria, ele precisava ter um sentimento especial por Jesus. E com todos os santos foi assim.

Mas por outro lado, existe também o perigo do "exagero" das virtudes. Claro, virtudes puras nunca são exageradas, mas podemos acabar misturando as coisas. Por exemplo, eu posso imaginar que a oração é uma virtude tão importante que resolvo dedicar a ela todo o tempo que tenho. Com isso, acabo não estudando, não fazendo minhas tarefas adequadamente, nem tendo um relacionamento decente com minha família e meus amigos. Obviamente a falha não está na virtude da oração, mas na minha maneira de vivê-la. Por isso Santo Alberto recomenda a discrição, que segundo ele é a moderadora das virtudes.

Discrição significa que não podemos nos dedicar a uma única virtude, esquecendo o nosso modo próprio de vida, como leigos. Precisamos nos dedicar à oração, à caridade, à humildade, etc. Discrição pode também ser entendida como bom-senso: uma dessas virtudes não pode prejudicar às demais, senão ela não é uma virtude sincera.

Ainda há um aspecto sobre a vivência das virtudes que precisamos olhar com cuidado. Cada um de nós tem uma maneira de viver cada virtude, e não podemos julgar os outros de acordo com o que é bom para nós. Por exemplo, se alguém costuma rezar diariamente o Rosário inteiro, não tem o direito de desprezar quem reza apenas uma dezena. O importante é que cada um se esforce ao máximo nas suas virtudes, mas não há um parâmetro que sirva para todos. Aqui cabe o exemplo das taças, que aparece na História de uma Alma, de Santa Teresinha: cada um de nós tem um copo de um tamanho, uns maiores, outros menos. O importante é que cada um procure encher o seu copo, sem se preocupar em compará-lo com os copos dos outros.

Que durante essa semana possamos olhar nossa vida de maneira crítica, percebendo os pontos onde podemos nos dedicar um pouco mais, e construindo a cada dia esse amor especial por Cristo e sua Igreja!

Um grande abraço, e uma boa semana a todos.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Abandono nas mãos de Deus

J.M. + J.T.

Olá, pessoal!

Esses dias eu estava conversando com uma amiga que está se formando comigo. Partilhávamos um pouco dos medos e anseios que estamos vivendo, com a proximidade da formatura e as incertezas para o próximo ano. Então, encontrei essa oração escrita por um frade trapista, chamado Thomas Merton, falando sobre o abandono nas mãos de Deus, e gostaria de partilhar com vocês:


Senhor Deus,
Não tenho a menor idéia de para onde estou indo,
Não enxergo o caminho à minha frente,
Não sei ao certo onde irá dar esse caminho.
Também não conheço verdadeiramente a mim mesmo,
E o fato de que penso que estou seguindo a Tua vontade
Não significa que realmente esteja seguindo a Tua vontade.
Mas acredito que o meu desejo de Te agradar
Realmente Te agrada.
E espero ter esse desejo em tudo o que fizer,
Espero nunca me afastar desse desejo.
Sei que, se assim o fizer,
Tu me guiarás pelo caminho correto
Embora eu possa nem saber que o estou trilhando.
Assim, confiarei sempre em Ti
Embora eu pareça estar perdido
E caminhando na sombra da morte.
E não temerei, porque Tu estás sempre comigo
E nunca deixarás que eu enfrente os perigos sozinho.

(Thomas Merton, Na Liberdade da Solidão)



Abandonar-se nas mãos de Deus é um desafio... Nas horas de dúvidas, medos e incertezas, muitas vezes acabamos nos sentindo sozinhos, e esquecemos que se Deus partilha de nossa vida, Ele participa também desses sentimentos ruins. Aliás, o próprio Cristo deve ter se sentido assim durante sua vida terrena muitas vezes. Então fica o convite a entregar tudo nas mãos de Deus, e ter essa confiança cega que os santos têm em Deus.

Um abraço a todos!

Correção Fraterna

J.M. + J.T.

Olá, pessoal!

No parágrafo 13 da Regra do Carmo, encontramos um tema bastante delicado: a correção fraterna dos irmãos. O texto diz assim:

"Assim também nos domingos ou em outros dias se for necessário, reuni-vos para tratar da observância na vida comunitária e do bem espiritual das pessoas. Nesta ocasião, corrijam-se com caridade as transgressões e as culpas que forem encontradas em algum dos irmãos".

Para compreendermos corretamente esse texto, precisamos primeiramente lembrar que os monges formavam uma comunidade muito unida, e que tudo em sua vida tinha como objetivo ao crescimento comum. Por isso a regra fala em "bem espiritual das pessoas", ou seja, crescimento espiritual de toda a comunidade. O crescimento de um frade leva ao crescimento de todos, e o pecado de um também pertence a todos: essa é a comunhão dos santos, de que São Paulo fala em suas cartas, e que rezamos no Creio.

Nós, leigos, também temos a vocação da vida em comunidade: seja nos grupos de jovens, grupos de oração, ou na comunidade paroquial. Assim, precisamos também ter essa percepção de que as falhas de um membro da comunidade acabam prejudicando ao grupo todo, e por isso precisamos ter coragem de nos corrigir uns aos outros. Mas é claro que também precisamos ter humildade de aceitar quando somos corrigidos.

Jesus dá pelo menos dois ensinamentos importantes sobre a correção. O primeiro é que antes de olhar as falhas dos outros devemos olhar para as nossas próprias. Isso é importante para que o discurso de quem corrige não seja vazio, mas tenha um sentido profundo. O outro é sobre a maneira de corrigir: Jesus diz que quando corrigimos e a pessoa não ouve, devemos buscar uma testemunha, e depois levar a situação aos anciãos. Isso é uma forma de dizer que não podemos usar a correção para humilhar ninguém ou para nos orgulhar: as testemunhas e os anciãos servem tanto para observar a postura de quem corrige como de quem ouve.

Sabemos que a correção é um verdadeiro desafio, mas precisamos dela para que nossa comunidade possa crescer. Acima de tudo, não podemos fingir que não vemos as falhas dos outros, pois seria omissão. Mas também devemos cuidar muito antes de sair por aí apontando as falhas das pessoas, pois podemos estar sendo motivamos por orgulho ou vontade de humilhar os outros. Acima de tudo, a correção deve ser motivada pela caridade e pelo desejo sincero de crescimento espiritual de nossa comunidade. Como nas outras dicas do Evangelho, a oração deve nos guiar nesse caminho, mostrando sempre como proceder em cada situação.

Que o exemplo dos monges primitivos nos ensine a perceber que ninguém caminha sozinho na vida espíritual e que somente comunidades fortes e unidas podem levar ao crescimento individual de seus membros.

Um grande abraço, e uma boa semana a todos!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Senequita!!!


J.M + J.T.


Mais um Senequita chega ao fim!! Ficam as lembranças dos bons momentos, a saudade de cada um, os novos ensinamentos adquiridos...




Em breve postaremos fotos e parte do material das palestras!!

Um abraço a Todos!!!

sábado, 25 de outubro de 2008

Senequita!!

J.M. + J.T.

Olá Pessoal,

Nesta sexta-feira teve início do 13º Senequita em Florianópolis!!
Damos as boas vindas a todos retirante e Freis vindos de Florianópolis, Curitiba, Porto Alegre, Passo Fundo e Rio Grande...

Postarei depois comentarios e o material deste encontro que este ano é dedicado a Santa Teresinha....

Que tenhamos um abençoado retiro...

Um abraço!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

J.M.+J.T.
Olá a todos!
Hoje convido a todos a refletirmos sobre o seguinte ponto da Regra Carmelita:

"Muitas vezes e de muitos modos os Santos Padres estabeleceram como cada um - qualquer que seja o estado de vida a que pertença ou a forma de vida religiosa que tiver escolhido - deve viver em obséquio de Jesus Cristo e servi-Lo fielmente com coração puro e reta consciência."

Muitas vezes se pensa que a vida carmelitana é feita exclusivamente para os religiosos. Para quem lê a Regra e as Constituições Carmelitas pela primeira vez, de modo pouco atento, pode certamente pensar nisso. De fato, a própria Madre Fundadora, Santa Teresa, quando escreveu o Caminho de Perfeição, o redigiu para as monjas, e muitas das orientações que vemos ali temos que adaptá-las ao nosso modo de vida leigo. Mas no que consiste esse modo de vida?

Ser um cristão leigo é levar a Palavra de Deus onde os nossos irmãos religiosos não estão: nas escolas, nas universidades, nas famílias, na política... É estar no mundo, sem ser dele. A Igreja, principalmente depois do Concílio Vaticano II, pede um protagonismo cada vez maior dos leigos. Nós, como carmelitas - jovens, religiosos, membros da Ordem do Carmelo Descalço Secular... - , devemos buscar essa maior participação, com humildade e coragem para enfrentarmos os riscos de viver em um mundo tão avesso às coisas de Deus.

Nesse mesmo ponto da regra estão juntos os religiosos e os não religiosos: sim, partilhamos do mesmo carisma carmelita! Viver nesse carisma, portanto, para um jovem carmelita também deve ser viver, do mesmo modo que para os religiosos "em obséquio de Jesus Cristo" e
"servindo-o fielmente com coração puro e reta consciência"!

O documento Christifidelis Laici,
escrito pelo Papa João Paulo II, é um dos mais importantes da Igreja Católica sobre os leigos e deveria ser conhecido por todos nós que trabalhamos nas pastorais leigas de nossas comunidades paroquiais. Nele, o Papa apresenta alguns problemas ainda muito atuais, como o secularismo e a necessidade religiosa. Em um mundo tão sedento de Deus, onde nós, leigos, estamos inseridos? É uma ótima sugestão de estudo para ser trabalhada em sua comunidade, já pensou nisso?

Beijos, fiquem com Deus e até mais!

sábado, 18 de outubro de 2008

Luis e Zélia Martin

J.M+J.T


Queridos amigos!

O Carmelo está em festa!
Já no primeiro dia do mês missionário celebramos com alegria de Santa Teresinha. Passando duas semanas, recordamos a festa de Santa Teresa de Jesus, nossa mestra. E nesse final de semana, de modo especial, temos mais um motivo para celebrar: a beatificação dos pais de Santa Teresinha: Luis e Zélia Martin.

Antes de se conhecerem, Luis e Zélia aspiravam à vida religiosa. Luis quis entrar na cartuxa, mas o fato de não saber latim o impediu de seguir como monge. Já Zélia foi impedida de ser religiosa pela superiora de um convento que concluiu que a jovem não era chamada a essa vocação.

Ele, buscando ainda entrar na vida religiosa, tentou aprender latim, mas encontrou muitas dificuldades, trocando as aulas de língua pelo ofício de relojoeiro, assumindo mais tarde a relojoaria de seus pais. Ela, talvez um pouco mais conformada, dedicou-se a aprender a arte de fazer rendas, arriscando-se a abrir, aos 22 anos, uma loja com sua irmã. O encontro entre os dois deu-se quando atravessaram uma ponte em Alençon, sendo esse o dia em que mudou a vida do casal, que três meses depois, em 13 de Julho de 1858, se uniu pelos laços do matrimônio

“O bom Deus me deu um pai e uma mãe mais dignos do céu que da terra”. Essas palavras de Santa Teresinha mostram o reconhecimento e o carinho que tinha por seus pais, que sempre foram um exemplo a suas filhas.

Em 1944 foram reconhecidas as virtudes heróicas do casal. Já em 2003 foi assinada a ata da abertura oficial do processo de reconhecimento da cura do menino Pietro de Monza, que nasceu com problema nos pulmões, respirando apenas artificialmente. Por sugestão de um religioso carmelita, os pais da criança fizeram uma novena a Luis e Zélia Martin, alcançando a graça da cura do menino, reconhecida como humanamente inexplicável.

Hoje, 19 de Outubro, o casal será beatificado em Lisieux, na França, sendo o segundo casal a ser beatificado pela Igreja.

Que possamos confiar nossas orações a esse casal que nos mostrou com a vida que é possível buscarmos a santidade no seio de nossa família. E que sigamos esse exemplo!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Meditar dia e noite na Lei do Senhor

J.M. + J.T.

Olá!

A Regra do Carmelo, em seu parágrafo 8, tem a grande norma de vida para os carmelitas:

"Permaneça cada um em sua cela ou em sua vizinhança, meditando dia e noite na lei do Senhor, a não ser que deva ocupar-se com outros afazeres justificados".

Os primeiros eremitas, e depois os frades e monjas carmelitas e carmelitas descalços, tinham uma estrutura de vida que facilitava a esse objetivo: momentos de oração litúrgica ao longo do dia, leitura espiritual, etc. Mas Santa Teresa, ao fundar o Carmelo Descalço, percebeu que meditar dia e noite na lei do senhor não significa apenas se dedicar à oração: fazemos isso quando praticamos obras de caridade, quando exercemos a caridade fraterna com nossos irmãos, quando conseguimos conviver bem com os que estão ao nosso redor, etc.

Para nós, leigos, e geralmente muito atarefados, fica difícil nos dedicar a grandes momentos de oração, mas essas virtudes são facilmente postas em prática. Sempre há pessoas necessitadas à nossa volta a quem podemos ajudar, pessoalmente ou através de grupos e entidades assistenciais, seja espiritual ou materialmente. Também em nossos grupos de convívio podemos colocar em prática a caridade fraterna, aceitando as diferenças e perdoando as falhas dos outros (o que, em algumas circunstâncias, exige uma grande paciência). Além disso, precisamos nos lembrar da presença de Deus durante o nosso dia, mesmo que rapidamente: indo para a aula, para o trabalho, caminhando na rua, sempre podemos perceber que Deus está conosco, e isso é um ato de oração muito valioso. Lembramos aqui de Santa Teresinha, que dizia que a oração é um simples olhar voltando para o céu, cheio de amor e gratidão com o Criador.

Segundo o Pe. João Mohana, podemos exercitar a presença de Deus preparando adequadamente o nosso ambiente. Por exemplo, podemos colocar um crucifixo próximo ao nosso local de estudos. Quando vamos estudar, um simples olhar ao crucifixo nos traz a memória de Cristo, e isso é muito importante. Também existem outras práticas, como fazer uma breve oração antes e depois das refeições, ou pedir que Deus nos acompanhe em nosso trabalho ou estudo, etc.

Claro que essas dicas servem pra complementar a vida de oração, e não substituir. O mais importante de tudo é a freqüência à Santa Missa e a dedicação a momentos de oração íntima com Deus: "... estando muitas vezes a sós com aquele que sabemos que nos ama" (Santa Teresa, Livro da Vida).

Que os Santos Padres nos ajudem a assimilar em nossas vidas os valores do Carmelo, e que com eles possamos seguir firmes no caminho da santidade.


Um grande abraço!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Dia de Santa Teresa de Jesus!!!

J.M.+J.T.

Olá a todos!

Hoje é dia de nossa Santa Madre Teresa de Jesus! Transcrevo hoje um trecho de seu livro "Caminho de Perfeição". Hoje, que é também dia dos professores, lembramos essa grande mestra espiritual, que soube, através de seu testemunho e de seus escritos, educar seus filhos e filhas no Carmelo.

"Ensinai-nos, nosso bom Mestre, algum remédio para vivermos sem grande sobressalto em guerra tão perigosa. O único remédio que podemos ter foi-nos dado por Sua Majestade. É andar com amor e temor. O amor nos fará apressar o passo; o temor nos fará olhar cuidadosamente onde pomos os pés, para não cair em caminho tão cheio de tropeços como é o desta vida. Com isto certamente não seremos enganadas.

Perguntar-me-eis: como conhecer se possuímos estas duas virtudes tão imensas? E tendes razão, porque sinal absolutamente certo e positivo não há. Se tivéssemos certeza de possuir o amor de Deus, também a teríamos de estar em sua graça. Mas vede, há sinais que até os cegos enxergam. Não são enigmas. Fazem muito ruído, bradam, ouvem-se até sem querer. Destacam-se pelo fato de não serem tão numerosos os que os possuem com perfeição. Amor e temor de Deus! É dizer pouco? São dois castelos fortes de onde se faz guerra ao mundo e aos demônios.

Aqueles que deveras amam a Deus, amam tudo o que é bom, querem tudo o que é bom, favorecem tudo o que é bom, louvam tudo o que é bom. Com os bons sempre se unem, ajudando-os e defendendo-os. Não prezam senão a verdade e o que é digno de ser amado. Pensais que as almas verdadeiramente enamoradas de Deus possam amar as vaidades da terra, riquezas, deleites mundanos? Ou que tenham contendas e invejas? Não, é impossível! E o único motivo é porque não pretendem outra coisa senão contentar o Amado. Andam morrendo de desejo de que ele as ame. Vivem a buscar meios de lhe serem mais agradáveis e de mais o amarem. Poderá esse amor se esconder? Jamais! O amor de Deus, se deveras é amor, não pode ocultar-se! Se quereis a prova, olhai um São Paulo, uma Santa Madalena, desde o primeiro instante. E era evidente, manifesto o amor! O amor tem esta particularidade: admite graus, há mais e menos. Se é pouco, aparece pouco. Se é muito, muito. Mas - pouco ou muito - o amor de Deus, onde existe, sempre se revela.

Assim, tanto quanto puderdes sem ofensa de Deus, procurai ser afáveis. portai-vos de tal sorte com todas as pessoas que vos cercam, que amem vossa conversação, desejem vosso modo de viver e tratar e não se atemorizem e amedrontem de praticar a virtude."

Ó Deus, que pelo Teu Espírito
fizeste surgir Santa Teresa para recordar a Igreja o Caminho de Perfeição,
dá-nos encontrar sempre alimento em sua doutrina celeste
e sentir em nós o desejo da verdadeira santidade.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Teu Filho,
Na unidade do Espírito Santo. Amém.
Santa Teresa de Jesus, rogai por nós!
Beijos a todos e um bom dia de Santa Teresa!

As Fundações de Santa Teresa

J.M.+J.T.

Olá a todos!

É com alegria que escrevo hoje, no terceiro dia do nosso tríduo a Santa Teresa de Jesus, sobre as suas Fundações. Foi escrito aqui anteriormente sobre sua obra escrita, mas Teresa não se resumiu a isso; você sabia que ela dirigiu a fundação de 17 mosteiros femininos entre os anos de 1562 e 1582 e ainda colaborou pelo menos em 2 fundações de mosteiros masculinos??? Imagine você, a pessoa que está lendo esse blog, se propondo a passar 20 anos de sua vida... fundando mosteiros!!! E pense em todo o trabalho que dava para cada uma dessas fundações: levantar fundos, contratar pedreiros para a reforma das casas, as viagens de uma cidade para outra feitas de carroça em estradas perigosas, conseguir bons confessores para as monjas, arrecadar boas vocações, conseguir autorizações, as perseguições, etc...

Será que ela fazia tudo isso por si mesmo, por vaidade? Claro que não! A Santa Madre sabia que, pelas graças que Deus dava a ela, ela tinha um tesouro a ser repartido. E por isso, não deveria ficar sem fazer nada, ainda mais uma alma "inquieta e andarilha" como a de Teresa: "O tempo fazia crescer em mim o desejo de contribuir para o bem de alguma alma; eu muitas vezes sentia-me como quem tem um grande tesouro guardado e deseja dá-lo para que todos gozem, mas tem as mãos atadas para não poder distribuí-lo. Eu tinha a impressão de estar com as mãos atadas dessa maneira, porque eram tantas as graças recebidas naqueles anos que me pareciam mal empregadas apenas em mim. Eu servia ao Senhor com minhas pobres orações e procurava que as irmãs fizessem o mesmo e valorizassem muito o bem das almas e o progresso de Sua Igreja. Quem com elas se relacionava saía edificado. E nisso se embebiam os meus grandes desejos." [Livro das Fundações. 1, 6]


É impossível narrar aqui em um espaço tão pequeno todas as fundações teresianas. Somente podemos falar que elas foram feitas com muitas dificuldades, mas com muita oração e determinação não somente por parte da Madre Fundadora, mas por todas aquelas monjas que participaram daqueles feitos. Santa Teresa fundou mosteiros por toda a Espanha: em Ávila (1562), Medina del Campo (1567), Malagón, Valladolid (1568), Toledo, Pastrana (1569), Salamanca (1570), Alba de Tormes (1571), Segóvia (1574), Beas, Sevilla (1575), Caravaca (1576), Villanueva de la Jara, Palencia (1580), Soria (1581), Granada e Burgos (1582). Algo que sempre marcava as fundações de Santa Teresa de Jesus: a presença do Santíssimo Sacramento em primeiro lugar. A casa só estaria realmente edificada quando o Santíssimo estivesse no altar.

Dos 4 grandes livros que essa Santa escreveu, o "Livro das Fundações" é o que talvez menos conheçamos. É um livro onde a Santa Madre escolheu tratar do que acontecia com ela e com suas irmãs em suas fundações em tom de aventura e de narrativa bem contada. Nesse caso, o mais legal é descobrir no livro as peripécias pelas quais passou, as dificuldades e até as anedotas, sempre recheadas do humor teresiano. É uma boa dica de leitura para quem quer conhecer mais dessa grande personagem que foi Santa Teresa e o quanto ela deixou de herança para o Carmelo e para a Igreja.


Santa Teresa de Jesus,
nossa Madre Fundadora!
Que caminhemos sempre nas estradas reais
rumo ao Pai e que construamos sempre nossas casas sobre a rocha,
segundo o conselho de Jesus Cristo,
guiados pelo Espírito Santo, Amém.


Abraços a todos! :D

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

As Obras de Santa Teresa

J.M. + J.T.

Olá, pessoal!

Santa Teresa nos deixou um grande tesouro espiritual nos seus livros e cartas, conforme comentamos brevemente ontem. Hoje vamos analisar um pouco desses escritos, mas sem a pretensão de resumir a espiritualidade dessa grande santa a algumas linhas. Apenas vamos tentar destacar alguns pontos importantes.

O primeiro livro escrito por ela se chama Livro da Vida. Como o título sugere, é a sua autobiografia, escrita ao longo de alguns anos, e encerrada após a fundação do primeiro mosteiro Descalço. Teresa fala sobre sua infância e relacionamento com os irmãos, sua entrada no Carmelo, sua luta pela conversão, e vai até a fundação do Convento São José, em Ávila. Mas Teresa não se resume a contar sua vida. Em determinado momento ela abre um parênteses para falar "algumas coisas de oração", e lá se vai metade do livro! Ela faz uma bela analogia da alma com um jardim, que devemos enfeitar com as flores das virtudes, onde o Senhor vem passear. A mensagem é que no início a vida de oração é dura, cheia de dificuldades, mas precisamos enfrentá-las se quisermos ir adiante.

Outro livro importante é o Caminho de Perfeição, escrito na forma de conselhos às irmãs que ingressassem nos mosteiros fundados por ela, a pedido das próprias irmãs. Ela fala sobre três virtudes essenciais para quem deseja seguir a Cristo: a humildade, o desapego e a caridade fraterna. Alem disso, ela mostra um amadurecimento espiritual muito grande em relação ao Livro da Vida. Nesse livro, a Santa Madre também comenta mais profundamente sobre os graus mais elevados de oração: oração de recolhimento, oração de quietude, etc. Em outra oportunidade vamos comentar mais sobre esses graus de oração. Sabendo que não seria bem aceito o fato de uma mulher escrever sobre temas espirituais, Santa Teresa disfarça esses graus de oração em um comentário sobre o Pai Nosso, o que toma toda a segunda metade do Caminho de Perfeição.

Mas certamente o livro mais importante de Santa Teresa é o Castelo Interior. Nele, Teresa compara a alma a um castelo, que possui um grande tesouro em seu interior. Para chegar à sala onde o tesouro se encontra, é necessário atravessar sete moradas, ou aposentos. Cada uma dessas moradas corresponde a um estágio na vida espiritual. O tesouro é a presença de Deus em cada um de nós. À medida que avançamos, são encontrados novos desafios, novas dificuldades, e novos sinais da graça de Deus. Mas as moradas não são estágios padrão, que todos passamos da mesma forma: cada um de nós tem uma forma de seguir a Deus, e Deus se revela de formas diferentes a cada um. A grande mensagem desse livro é que a oração é um caminho pessoal, íntimo, em busca de um tesouro que todos trazemos dentro de nós desde que nascemos.

Além desses livros, existe um muito importante, o Livro das Fundações, onde ela narra em detalhes as fundações dos Mosteiros Carmelitas Descalços. Mas esse assunto fica para amanhã. Santa Teresa também escreveu outros escritos menores, algumas poesias, e muitas cartas, das quais existem até hoje cerca de 470.

Gostaria de deixar aqui um convite a todos para que leiam as obras de Santa Teresa. Nós, católicos, temos um costume ruim de aceitar as explicações que nos são dadas como se fossem verdades universais. Os livros de Santa Teresa são tão profundos, e ao mesmo tempo tão pessoais, que cada um que os lê tem uma experiência própria, como se a Santa falasse pessoalmente a cada um de nós através deles.


Santa Madre Teresa de Jesus,
que conheceste profundamente os tesouros da vida espiritual,

e guiaste a todos que te procuraram nesse caminho;
ainda hoje continuas a nos guiar através de teus livros.

Por isso te pedimos confiantes

que sejamos fiéis ao caminho da oração,
sem desanimar nas dificuldades,
e possamos encontrar o tesouro do Amor de Deus
que se encontra em cada um de nós.

Santa Teresa de Jesus, rogai por nós!



Um grande abraço a todos!

domingo, 12 de outubro de 2008

A Vida de Santa Teresa de Jesus

JM + JT

Olá, pessoal!

No próximo dia 15 celebramos uma das datas mais importantes para os Carmelitas: a Solenidade de Santa Teresa de Jesus. Tal como fizemos com Santa Teresinha, vamos fazer uma breve reflexão sobre a vida e a obra dessa grande Santa. Hoje eu vou comentar um pouco sobre a vida dela, amanhã falaremos sobre a espiritualidade, e na terça será a vez de comentarmos sobre as fundações dos Carmelos, pelas quais ela tanto batalhou.

Teresa de Cepeda e Ahumada nasceu na Espanha, na cidade de Ávila, no ano de 1515. Tinha muitos irmãos, e sua educação sempre foi muito sólida nas virtudes cristãs. Desde criança gostava de brincar de monja com seus irmãos, sendo que para isso inclusive construíam pequenos oratórios e monastérios. Certa vez ela fugiu com Rodrigo, um irmão mais velho, com o desejo de ser martizada pelos mouros, pois ouviu dizer que os mártires têm lugar garantido no céu. Graças a um tio, que os encontrou logo na saída de Ávila, esse projeto não foi levado adiante.

Aos vinte anos, Teresa ingressa para o Mosteiro Carmelita da Encarnação. Como era de costume na época, sua vida era muito apegada às criaturas, conversas sem propósito, aos amigos e à família. Percebendo que esse não era o centro da vida religiosa, Teresa se esforça para melhorar, sem nunca obter sucesso. Após cerca de vinte anos de luta contra si mesma, dois fatos levam à sua conversão: a leitura de As Confissões, de Santo Agostinho, e uma visão de uma imagem de Cristo chagado, diante da qual Teresa se ajoelha e jura que só se levantará quando estiver convertida.

Daí em diante, ela deixa de lado tudo aquilo que considera superficial, dedicando-se totalmente à oração. Percebendo que o mosteiro onde vivia era grande demais, e por isso facilitava as distrações, Teresa sente a necessidade de fundar um novo convento. Assim, em 1562, Teresa funda o Convento São José, junto com poucas irmãs que lhe acompanham, quando passa a se chamar Teresa de Jesus. Nascia assim a Ordem dos Carmelitas Descalços.

Muitas pessoas, inclusive muitos frades e monjas, não entenderam a sua obra, e por isso Teresa passou por muitas perseguições e dificuldades. Mas com o tempo as coisas se esclareceram, e ela conseguiu também a autorização para fundar um convento de frades carmelitas descalços, o que aconteceu em 1567.

Ao longo de sua vida, Teresa escreveu muitos livros, que são até hoje um grande tesouro da literatura espiritual. Além dos livros, também ficaram conservadas muitas de suas cartas, nas quais podemos aprender muito sobre a vida quotidiana dos mosteiros, e também muitos conselhos sobre dificuldades diversas encontradas pelas suas irmãs.

Teresa faleceu em 1582, em um convento fundado por ela. Ainda em vida era reconhecida como santa, e foi canonizada cerca de 40 anos após sua morte. Sua herança espiritual é tão importante para a Igreja que em 1970 o Papa Paulo VI concedeu-lhe o título de Doutora da Igreja.

Gostaria de encerrar deixando aqui uma breve oração, pedindo a Deus a graça de seguirmos fiéis o caminho traçado por Santa Teresa:

Santa Madre Teresa de Jesus,
que soubeste dar gosto a todos quando vivias no mundo,
sendo por isso muito querida de quantos te conheceram,

agora que vives no céu vais querer favorecer-nos com maior razão.
Por isso te pedimos confiantes
que saibamos aproveitar a tua doutrina,
para desejar os bens celestiais
e desprezar o que nos pode apartar do bem,
vivendo como tu viveste,
purificados pelo amor de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Santa Teresa de Jesus, rogai por nós!



Um grande abraço a todos!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Um homem caiu em um buraco

J.M. + J.T.

Olá, pessoal!

Eu recebi esse vídeo do Fr. Marcos Matsubara, da Província do Sudeste, e gostaria de compartilhar com vocês.




Mais do que uma comparação entre religiões, precisamos olhar o vídeo como uma bela parábola do gesto salvador de Jesus. Além de qualquer discurso, qualquer teologia, está o gesto de amor de ir ao encontro daquele que sofre. Afinal, Jesus já havia dito que quem ama dá a vida por seus amigos.

Um grande abraço a todos!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O Carmelo e a Penitência

J.M. + J.T.

Olá, pessoal!

A Ordem dos Carmelitas sempre se caracterizou pela penitência. Isso se mostra, por exemplo, na cor do hábito dos frades e monjas: marrom é a cor associada na Igreja com o sofrimento, mortificação. Na Regra do Carmelo também há alguns conselhos referentes a esse tema:

"Da festa da Exaltação da Santa Cruz até o Domingo da Ressurreição do Senhor, exceto os domingos, jejuareis todos os dias, a não ser que alguma enfermidade ou fraqueza corporal ou outro justo motivo aconselhem a dispensa do jejum, ... " (Regra, 14)

"Abstende-vos de comer carne, a não ser que se deva tomar como remédio em caso de doença ou fraqueza física ..." (Regra, 14)

No caso dos primeiros eremitas, o jejum era a forma de penitência mais comum. Com o tempo, as mortificações foram se alterando, mas sempre fizeram parte das práticas religiosas comuns. São João da Cruz e Santa Teresa, nossos pais espirituais, encontravam nela uma forma de esvaziar o coração, negando-se a si mesmos e abrindo em suas vidas o espaço que Deus necessita. Santa Teresinha, cuja festa celebramos há poucos dias, também vivia muitas práticas de mortificação. Como já comentamos, ela não era dada a grandes penitências, mas preferia as pequenas, como ela mesma deixa registrado em sua autobiografia.

Nós também podemos, e devemos, buscar formas de nos mortificar. Quem sabe um dia na semana deixar de comer alguma sobremesa que gostamos, ou outro dia levantar uns minutos mais cedo e fazer uma breve oração? Existem muitas formas de penitência que podemos fazer, precisando apenas de um pouco de esforço e boa-vontade.

A palavra mortificação vem da palavra morte, e significa exatamente isso: matar nossos desejos, nossas vontades. Parece estranho que para seguir a Jesus precisemos negar a nós mesmos. Acontece que muitas vezes pensamos que fazer o que queremos é um sinal de liberdade, mas quem faz sempre tudo o que tem vontade acaba se tornando escravo de si mesmo. O próprio Jesus já nos alertava no Evangelho que, se alguém quiser segui-lo, precisa renunciar a si mesmo e tomar sua cruz (Mt 16,24).

Que o exemplo de nossos santos carmelitas nos inspire a buscar práticas de mortificação, para que possamos abrir nossos corações a Deus.

Um grande abraço a todos!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Os carmelitas nas terras do Rio Grande de São Pedro

J.M. + J.T.

Olá a todos!

Eu gostaria de fazer um convite a todos a contar um pouco da história da suas paróquias. Eu gostaria de começar contando um pouco da chegada dos Carmelitas a Rio Grande, e um pedacinho da história da nossa paróquia.



Desde 1777, Frei Antonio das Chagas, torna oficial a presença da Ordem do Carmo em Rio Grande. A devoção se iniciou em um altar da Igreja Matriz de São Pedro no dia 15 de julho de 1780.

Em 1800 teve inicio a construção da Igreja e sua conclusão em 1809, em estilo colonial, sendo, Bispo diocesano da época D. José Caetano da Silva Coutinho que, em agosto do mesmo ano, autorizou o padre Francisco Inácio da Silveira a proceder a benção da Igreja, o que teve lugar a 6 de novembro de 1809, sob a invocação da Igreja a Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo. Sua localização ficava numa esquina na área central do perímetro urbano, o famoso Beco do Carmo, espaço de grande encontro e grande afluência de fiéis.
Dentre o patrimônio da Ordem Terceira dos Irmão do Monte do Carmo, além da Igreja , existia o cemitério privado, ao fundo que se estendia ate a esquina com rua General Bacelar e o Hospital da Ordem Terceira.

Mais de um século depois, em 1928, diante das sócio-urbanísticas, houve a necessidade da demolição do antigo templo, que em 1835, Marechal Francisco Soares de Andréa o caracterizou pejorativamente de um ¨grande armazém com alguns altares¨, para dar condições a realização do projeto municipal de abertura do transito ao centro da cidade, a atual Rua Benjamin Constante.

Frei Florentino de São José, com apoio da comunidade e lideranças locais, deu inicio ao projeto da construção do novo templo em estilo Neo-Gótico.
Em 16 de fevereiro de 1930 foi lançada a pedra fundamental do futuro e suntuoso templo da comunidade. Frei Sigismundo de São Luiz Gonzaga, era o vigário da paróquia dos carmelitas na diocese.
O projeto e supervisão ficou a cargo do hábil arquiteto o espanhol Frei Marino de São José, que se inspirou numa das Fundações da Ordem dos Carmelitas na Europa , na Alemanha, na cidade de Burgus.
Em 22 de abril de 1938, o templo foi inaugurado, com a obra ainda em conclusão, sendo terminadas em 1952. Foi dada ao neo-sacerdote, o Frei Higino de Jesus Maria, a responsabilidade de celebrar a primeira missa, sendo Frei Caio de São José o vigário paroquial.




A capacidade realizadora dos religiosos carmelitas, sempre foi uma das características marcantes nas ações empreendidas em Rio Grande. O Frei Aloysios Alfredo Hass, com apoio da comunidade, do comercio e das industrias locais, começou a elaborar um projeto de reconstrução das agulhas das torres, demolidas em 1983. A obra teve a duração de 1 ano e 9 meses (11/12/1989 a 20/09//1991).

A importância da Ordem dos Carmelitas na cidade é de enorme relevância, mas não se restringe a mera permanência de símbolos materiais ainda existentes ou que ficaram presente na memória coletiva da comunidade. Mas sim, a história de pessoas comuns e de religiosos que se dispuseram a levar valores culturais religiosos nas terras longínquas do Rio Grande de São Pedro.



* Foto 1: Fotografia da década de 1920 da antiga Igreja do Carmo tendo o Banco do Brasil à direita, acervo Fotográfico da Biblioteca Rio Grandense
* Foto 2: Fotografia da Igreja Nossa Senhora do Carmo de 1946, acervo de Ailton Ávila.
* Foto 3: Fotografia da Igreja Nossa Senhora do Carmo de 2005.
* Foto 4: Fotografia da Igreja Nossa Senhora do Carmo de 2005.


Fonte: Sérgio da Silva Pereira - Graduado em História pela FURG, Pesquisando a religiosidade no Rio Grande do Sul.

Festa de Santa Teresinha



"Ser tua esposa, oh, Jesus; ser Carmelita; ser, por minha união contigo, mãe das almas, deveria ser bastante para mim... Não é assim... Sem dúvida, estes três privilégios bem constituem minha vocação: Carmelita, esposa e mãe. Contudo, sinto em mim outras vocações. Sinto em mim a vocação de guerreiro, de Sacerdote, de Apóstolo, de Doutor, de Mártir. Enfim, sinto a necessidade, o desejo de realizar por ti, Jesus, todas as obras, as mais heróicas... Sinto em minha alma a coragem de um Cruzado, de um Zuavo pontifício. Quisera morrer num campo de batalha, pela defesa da Igreja...

Sinto em mim a vocação de Sacerdote. Com que amor, oh, Jesus, eu te traria em minhas mãos, quando, à minha voz, descesses do Céu... Com que amor te daria às almas!

Ah! Apesar de minha pequenez, quisera esclarecer as almas como os Profetas, os Doutores. Tenho vocação de ser Apóstolo... Quisera percorrer toda a terra, pregar teu nome e implantar no solo infiel tua Cruz gloriosa. Quisera anunciar, ao mesmo tempo, o evangelho nas cinco partes do mundo e até nas ilhas mais distantes... Quisera ser missionária, não somente durante alguns anos, mas gostaria de tê-lo sido desde a criação do mundo e sê-lo até a consumação dos séculos...

O martírio, eis o sonho de minha juventude. Este sonho cresceu comigo nos claustros do Carmelo... Sinto, contudo, que também nisto, meu sonho é uma loucura, pois não saberia limitar-me a desejar um gênero de martírio... Para me satisfazer, seriam necessários todos...

Oh, meu Jesus! O que vais responder a odas as minhas loucuras? Haverá uma alma mais pequenina, mais impotente do que a minha? Entretanto, por causa mesmo de minha fraqueza, aprouve-te, Senhor, cumular meus pequenos desejos infantis, e hoje, queres realizar outros desejos, maiores que o universo...

Encontrei, enfim, o repouso... Considerando o corpo místico da Igreja, não me reconheci em nenhum dos membros descritos por São Paulo, ou antes, queria reconhecer-me em todos... A Caridade deu-me a chave de minha vocação. Compreendi que se a Igreja tinha um corpo, composto de diferentes membros, não lhe faltava o mais necessário, o mais nobre de todos. Compreendi que a Igreja tinha um coração, e que este Coração era ardente de amor. Compreendi que só o Amor fazia agir os membros da Igreja e que se o Amor viesse a se extinguir, os Apóstolos não anunciariam mais o Evangelho, os Mártires recusariam derramar seu sangue... Compreendi que o Amor encerra todas as vocações, que o Amor é tudo, que abraça todos os tempos e todos os lugares... Numa palavra, que ele é eterno!

Então, no auge de minha alegria delirante, exclamei: Oh, Jesus, meu amor... Encontrei, enfim, minha vocação: minha vocação é o Amor!"

(Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face.
História de uma Alma, Manuscrito B)

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Santa Teresinha e sua Espiritualidade

J.M.+J.T.

Olá a todos!!!

É com alegria que escrevo neste terceiro dia do tríduo em comemoração a Santa Teresinha do Menino Jesus!

Hoje é dia 30 de setembro, dia em que comemoramos a festa de São Jerônimo, o grande tradutor da Bíblia. Por isso, em setembro lembramos na Igreja a Palavra de Deus de modo mais especial. E hoje também lembramos o dia em que Teresinha faleceu, naquele ano de 1897. Apesar disso, sua festa será amanhã, iniciando o mês das Missões - juntamente com São Francisco Xavier, Santa Teresinha é considerada padroeira das Missões, mesmo tendo vivido boa parte de sua vida na clausura do Carmelo, sinal do quanto a oração pode ser missionária.

Hoje apontarei alguns aspectos da espiritualidade dessa tão grande Santa. Não sou especialista em Santa Teresinha, então citarei somente alguns pontos que sempre achei importantes em sua espiritualidade. Só que, obviamente, os escritos dela mesmo têm muito mais a contar que eu aqui no blog. ;)

- Devoção à Virgem Maria - Desde pequena, Teresinha tem um carinho todo especial à Nossa Senhora, principalmente desde a morte de sua mãe Zélia. Desde esse episódio, toma a Mãe dos Céus como sua verdadeira Mãe: "Sabemos muto bem que a Virgem Santíssima é a Rainha do céu e da terra, mas ela é mais mãe do que Rainha." Uma passagem marcante de sua vida é quando, doente, antes ainda de entrar no Carmelo, é curada ao ver uma imagem de Nossa Senhora das Vitórias sorrir para ela. A figura da "Virgem do Sorriso" acompanharia toda sua vida, assim como a alegria em todas as suas atribulações e doenças.

- Confiança em Deus - Santa Teresinha falava que era como um brinquedo nas mãos do Menino Jesus: nos momentos em que tudo ia bem, o Menino estava brincando com aquele brinquedo; quando tudo ia mal em sua vida, era como se Jesus tivesse adormecido e largado o brinquedo em um canto qualquer. Mas para Teresinha, o importante era que o Menino ia sempre acordar e brincar com ela de novo!

- Escuta da Palavra de Deus - "Só tenho de olhar o Santo Evangelho, logo respiro os perfumes da vida de Jesus e sei para que lado correr..." Ela, que sempre quis seguir a Cristo, nos meios das maiores dificuldades não deixou de lançar seus olhos à Palavra. Os princípios ali contidos fazem com que se tornem para ela em um caminho a seguir, em um projeto a realizar, em uma missão a cumprir. Não é à toa que Santa Teresinha tornou-se Padroeira das Missões.

- Padroeira das Missões - Teresinha, desde o claustro, reza pelos sacerdotes. Ela gostaria de ter todas as vocações: apóstolo, profeta, mártir... somente pelo amor a Deus! "No coração da Igreja, minha mãe, eu serei o Amor!" Quantas vezes pensamos, ou ouvimos pessoas desavisadas por aí, que acham que o Carmelo é para pessoas que ficam paradas, que "não fazem nada além rezar"... Qual será o real sentido do Carmelo se não a oração pelos necessitados, a oração pelos sacerdotes, a oração missionária?

Existem muitos outros aspectos na doutrina espiritual dessa Doutora da Igreja que poderiam ser apontados aqui, mas faltaria espaço!

Que Santa Teresinha, cumprindo sua promessa de passar o seu céu fazendo o bem sobre a terra, nos cumule com sua chuva de rosas!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Santa Teresinha e as virtudes

J.M. + J.T.

Olá!

Quem não conhece bem Santa Teresinha é levado a pensar que ela é uma santa pequena, sem muita importância, pelo fato de usarmos seu nome sempre no diminutivo. Com a leitura de alguns trechos ou frases de seus escritos, esse pensamento se reforça, devido à linguagem simples, quase infantil, usada pela autora. Mas na verdade Santa Teresinha é uma grande santa, determinada a buscar a Cristo com todas as suas forças.

Teresinha viveu com perfeição as três virtudes de Santa Teresa do Caminho de Perfeição: a caridade, a humildade e o desapego. O desapego está na própria raiz da vida monástica: abandonar o pai e as irmãs, a quem tanto amava, para dedicar-se a Deus foi uma das cruzes mais pesadas que precisou carregar, como deixa registrado em sua biografia e nas cartas desse período. Mesmo no Carmelo, onde algumas de suas irmãs já eram religiosas, Teresinha procurava manter-se longe delas, procurando dar mais atenção às demais religiosas e evitar de criar laços de amor particulares.

Há um episódio de sua vida que ilustra sua profunda caridade. Havia entre as irmãs uma com a qual Teresinha não simpatizava, mesmo sem ter motivo para isso. No entanto, Teresinha fazia um esforço para reconhecer o Cristo vivo nessa irmã, e sempre procurava sorrir-lhe ao encontrá-la pelo mosteiro. Isso se repetiu tantas vezes que, certa ocasião, essa irmã perguntou porque Teresinha gostava tanto dela. Esse é o centro de toda a caridade: reconhecer que cada pessoa, mesmo com suas limitações e defeitos, é um filho amado de Deus. Teresinha sentiu profundamente esse amor por todas as pessoas, e isso levou ao surgimento de um profundo desejo de ser missionária, mesmo sem sair do convento.

Mas de todas as virtudes, certamente a humildade é a que Teresinha viveu com mais heroísmo. Dizendo-se muito pequena para ser uma grande santa, como Santa Teresa ou São João da Cruz, Teresinha decidiu fazer-se pequena. Dizia ela que a alma é como uma criança que deve subir uma escada para encontrar o pai. Se a criança sobe sozinha, o pai a aguarda, mas se a criança é muito frágil, o pai desce até ela e a carrega no colo. Por isso Teresinha decidiu fazer-se criança, praticando pequenas mortificações e obras de caridade em sigilo, sem que fosse notada. Essas mortificações eram, por exemplo, deixar de comer alguma comida que gostasse, colocar pequenas pedrinhas nos calçados, ou dobrar as capas das irmãs após as orações. Tudo em silêncio, de forma a nunca ser notada.

Quando Teresinha morreu, as irmãs precisavam escrever sobre ela, para enviar aos outros Carmelos, mas algumas não sabiam sequer o que escrever. "Ela não fez nada demais", diziam. Grande engano: assim que tiveram contato com sua autobiografia, surpreenderam-se com a profundidade das virtudes que Teresinha praticava.

A nós, Santa Teresinha ensina que nunca há local inadequado para sermos santos, ou para praticarmos as virtudes. Certamente todos nós temos muitas ocasiões ao longo do dia em que podemos ser caridosos ou que podemos fazer pequenas mortificações. Santa Teresinha dizia que precisamos ter os olhos fixos em Deus, assim como a águia fixa os olhos na sua presa, e voar em direção a Ele com todas as nossas forças. Façamos como ela: busquemos as virtudes com força e decisão, tendo consciência que uma alma que se eleva, eleva o mundo.

Um grande abraço a todos!

domingo, 28 de setembro de 2008

Santa Teresinha

J.M. + J.T.

Olá pessoal!

Dia 1º de outubro, quarta-feira, é a festa de Santa Teresinha do Menino Jesus, Monja Carmelita e Doutora da Igreja. Certamente é uma grande festa para nós carmelitas. E para não passar em branco, nós aqui do blog resolvemos fazer uma espécie de tríduo. De hoje até quarta vamos comentar alguns pontos importantes da vida e doutrina dela. Hoje eu vou falar um pouco da vida dela, amanhã vamos comentar sobre a busca incessante dela pelas virtudes, e terça sobre a sua espiritualidade, o caminho da infância espiritual. Claro que o dia da festa dela não vai passar em branco, e já estamos preparando algumas coisas também.

Maria Francisca Teresa Martin nasceu no ano de 1873, na cidade de Alençon, na França. Desde pequena, sempre foi muito apegada à família. Seus pais eram muito religiosos, e sempre lhe deram uma educação muito cristã. Sua mãe morreu quando ela era ainda muito pequena, e por isso ela se apegou fortemente a uma das irmãs, a quem chamava carinhosamente de mãezinha.

Ainda adolescente, Teresinha decidiu entrar para o mosteiro carmelita de Lisieux, onde já havia algumas irmãs dela. Como era muito nova, com apenas 15 anos, precisou pedir autorização para o Bispo. Com a negativa deste, Teresinha aproveitou uma excursão da família pela Europa, passando pelo Vaticano, para pedir a autorização ao Papa. O Papa mandou que se fizesse como os superiores locais mandassem. Estes se comoveram profundamente com a determinação e a coragem de uma menina tão nova, e acabaram cedendo.

No Carmelo, Teresa decidiu seguir o caminho da humildade e das coisas pequenas. Fazia pequenos gestos de caridade para suas irmãs, como dobrar suas capas após as orações, arrumar os breviários, e etc. Em tudo encontrava pequenas formas de agradar a Deus. Deixou alguns textos escritos, dentre os quais se destacam a História de uma Alma, autobiografia escrita em três partes. Nesse importante livro, Teresinha expõe sua doutrina e mostra grande profundade na vida espiritual.

Teresinha morreu muito jovem, em 1897, com apenas 24 anos de idade. Havia prometido passar o céu fazendo o bem sobre a Terra, e isso rapidamente se concretizou. A devoção e os milagres de Santa Teresinha se espalharam por todo o mundo, e hoje ela é certamente uma das santas de maior devoção entre o povo.

Para quem quiser conhecer mais, sugiro a leitura da História de uma Alma. Esse texto é de fácil leitura, apesar da profundidade, sendo que grande parte foi escrito com ela ainda muito jovem. Teresinha escreve usando figuras de linguagem muito simples, o que torna a leitura agradável. Também existe um filme, chamado "Therèse", uma grande produção que retrata fielmente os principais momentos da vida dela.


Um grande abraço a todos!

Conselho

J.M. + J.T.

Olá Pessoal!!

Segue um breve relato feito pela Valeska a respeito da última reunião do conselho, realizada dia 20 de Setembro...

Queridos jovens,

sabado passado (20/09) tivemos em Porto Alegre a segunda reuniao ordinaria do Conselho da JUCAR em 2008.
Fizemos uma avaliação bem detalhada de todas as realidades de nossas comunidades, assinalamos pontos de maior preocupaçao, trocamos experiencias, e pensamos o papel da juventude nesse contexto.

Sugiro que os conselheiros que estavam presentes na reuniao reunam os jovens para repassar o que foi comentado, e acertado. Deixo aqui apenas as decisões mais práticas, como datas e locais. CAso alguem perceba algum problema relevante nas datas, nos informe.

Castillo 2009: Local PoA, com coordenaçao de Fpolis, 3, 4 e 5 de Julho
Senequita 2009: Local Curitiba, 30, 31/10 e 1º/11

Nova coordenaçao do JUCAR 2009/2010: Tassi como coordenadora e Juliana como secretaria/tesoureira.
Conselheiros: Mayura, Vivi (poA), Joran e Guilherminho (Fpolis), Meyre e Dani (Ctba), Matheus e Felipão (RG). Permanecemos sem representante de Santa Maria, uruguaiana e Passo Fundo (projetos de aproximaçao).

Algumas decisões: divulgaçao do papel do conselheiro/ suplente, organizaçao do cadastro com o nome e contato de todos os jovens, comemoraçao especial do dia 13/07 por todos os grupos reforcando a existencia da JUCAR, apoio ao blog da JUCAR, confecçao de novas camisetas ate o senenquita 2008, depósito de 20,00 por mes POR CIDADE, numa conta propria da JUCAR (a ser aberta) para eventuais necessidades financeiras da mesma.


Abraços a todos



Desde já, agradecemos à Valeska e à Vanessa, que encerraram nessa reunião seu período de coordenadoras, pelo importante serviço prestado à nossa Juventude. Agradecemos também aos Conselheiros, pois sem eles a unidade entre nossas cidades ficaria seriamente comprometida.

E claro, pedimos orações pelos que assumem suas novas funções. Que Deus nos abençoe a todos, e faça com que o carisma do Carmelo fortifique-se cada vez mais em nossos corações.


Um grande abraço a todos!

sábado, 27 de setembro de 2008

A Virgem Maria e o Abandono a Deus

J.M. + J.T.

Olá pessoal!


Ontem comentamos aqui no blog sobre a solidão. E como nas outras virtudes, a Mãe de Deus serve de exemplo e caminho seguro.

Em Nossa Senhora, contemplamos a perfeição da solidão, não no sentido de afastamento das pessoas, mas o abandono nas mãos de Deus. Isso se torna claro já no momento da Anunciação, em que Maria deixa de lado seus próprios planos e desejos, para entregar-se ao projeto de Deus: "Faça-se em mim segundo a Tua vontade" (Lc 1,38). Também podemos citar aqui o episódio em que Jesus se perde no Templo: o Evangelho diz que Maria "guardava todas essas coisas em seu coração" (Lc 2,51), ou seja, ela era uma pessoa com profunda vida interior, que ao invés de se assustar diante dos problemas, os entrega nas mãos de Deus. Somente uma pessoa profundamente unida a Deus é capaz de tal grau de confiança.

Mas um outro episódio importante em nossa reflexão é o da crucificação de Jesus. O Evangelho diz que Maria permanecia em pé junto da cruz (Jo 19,25). Essa expressão "em pé" significa que ela não caiu em desespero, mas soube suportar a dor de mãe reconhecendo ali a concretização do projeto de Deus. Essa é a grande solidão de Maria: ela se despoja tanto de si mesma, que ao longo de toda a sua vida deixou de lado seus projetos, seus sentimentos, suas dores, para que a vontade do Pai fosse realizada.

Também precisamos lembrar que, ao longo da história, a presença de Maria na Igreja sempre foi importante, mas ela nunca chamou a atenção para si. Veja-se, por exemplo, as aparições de Nossa Senhora reconhecidas pela Igreja: ela nunca acrescenta nada à mensagem de Deus, mas sempre apela para que as pessoas ouçam as palavras de seu Filho e se agarrem à oração.

Enfim, Maria foi uma pessoa que viveu profundamente unida a Deus, tal como São Paulo: "Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim" (Gal 2,20). Que o exemplo dela nos anime a abandonar nossa vida nas mãos de Deus, aceitando Sua vontade sempre acima de tudo.

Um grande abraço a todos!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

O Carmelo e a Solidão

J.M.+J.T.

Olá a todos!
Você já sentiu vontade de estar em solidão?
Muitas vezes a solidão é algo que vemos como negativo: ausência de amor, de pessoas que nos cercam... Será isso mesmo? E o que a solidão tem a ver com espiritualidade?
A Regra do Carmelo nos expõe algo sobre a solidão. Vamos a ela:

"5. Podereis fixar os vossos locais de residência na solidão, ou onde vos forem doados, desde que sejam adequados e convenientes ao vosso modo de vida religiosa, conforme o que parecer mais oportuno ao Prior e aos irmãos.
6. Além disso, tendo em conta a situação do lugar em que tenhais decidido estabelecer-vos, cada um de vós tenha a sua própria cela separada, conforme lhe for indicado pelo Prior, com o consentimento dos outros irmãos ou da parte mais madura."


O que a Regra quer dizer aqui? Que aqueles primeiros irmãos, vivendo em um espírito eremítico, deveriam procurar essa solidão para o encontro com Deus. Essa passagem da Regra recorda uma outra do Evangelho em que Cristo ensina os Apóstolos a orar: "quando orardes, entrai em vosso quarto e, fechando a porta, orai a Vosso Pai em segredo..." A solidão, assim como o silêncio exterior e o verdadeiro recolhimento, portanto, como dizia Thomas Merton, monge trapista, não é o fim, mas um meio para quem deseja levar a vida contemplativa. Como ele mesmo escreve, o fim primordial para todas essas coisas deve ser o Amor de Deus.
Já se falou aqui no blog em vida comunitária e talvez por isso soe um pouco estranho esse texto sobre solidão. Realmente, logo depois desses dois pontos na Regra, Santo Alberto de Jerusalém escreveu que isso era para ser feito de modo que as refeições e a leitura da Palavra fossem em conjunto. Thomas Merton nos coloca uma observação bem importante: quantas vezes nós estamos vivendo no meio de outras pessoas e isso não significa estar em comunhão com elas? A solidão mais verdadeira não é aquela externa, ou seja, o fato de estarmos sozinhos em algum lugar, sem comunicação com alguém; mas é como um "buraco" que se abre no centro de nossa alma, abrindo espaço ao Amor de Deus. Só Ele satisfaz esse sentimento de solitude. Podemos, se quisermos, fazermos mil retiros, com mil momentos de deserto; mas se não utilizarmos esse meio para nos preenchermos do Amor de Deus, de nada nos adiantará.
Nosso querido São João da Cruz já falava em "solidão sonora", porque nunca estamos sozinhos de fato, Deus, nosso Amado, sempre está conosco! Pela solidão de todo gosto, de toda criatura - não o contato com as criaturas, mas o apego a elas - que se pode, segundo o Santo, chegar à união com o Amado.

"Já não tenho outro ofício
Só amar, o exercício!
Solidão povoada, presença amorosa do Amado
Viver ou morrer, sem Ele eu não quero ser!"

Para concluir, deixo alguns "desafios" a todos que lerem esse texto:
- Como podemos viver essa solidão nos dias de hoje, como jovens carmelitas?
- Quando faço um deserto em um retiro, como me comporto? Aproveito esse momento de solidão com Deus?

Beijos, fiquem com Deus!!!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Unidos, mas diferentes!

J.M. + J.T.

Analisando algumas diferenças entre as cidades que compõem nossa Juventude Carmelitana, peço licença para partilhar com vocês um fato ocorrido esse final de semana.

Tudo começou com uma expressão engraçada!
Havia um trio passeando pelas ruas de Porto Alegre. Um trio de cidades diferentes. Ela, "manézinha da ilha". Ele, gaúcho (e colorado) roxo! E eu, da tal cidade fria e fechada.
Cada um representando um estado do sul do país.
Ela, com um certo chiado ao pronunciar aquelas palavras arrastadas e cantadas. Ele, com a voz forte e o erre enroscado. Já eu, um misto dos dois, com uma diferença: meu erre sempre sai puxado, parecendo um pouco "torrrrrto" ao ser pronunciado.

Mas pode ser que essas diferenças nem tenham sido tão notadas pelos meus dois companheiros de passeios pela capital gaúcha, pois apenas uma expressão causou discussão (e uma longa discussão) pelas ruas da cidade.
"Por qual rua vamos?". "Vamos pegar a ‘geral’", responde minha cara colega vinda da ilha. "Geral???". Mas o que vem a ser essa tal "geral"?, eu pensei. "Ah, sim! A ‘principal’", você quer dizer", respondo eu com ar de quem estava quase entendendo. Porém, de imediato, sou questionada sobre o que é uma rua "principal". "Bom, é a ‘rápida’, entendem?", respondo eu querendo colocar um fim na questão. "Mas lá na minha cidade a ‘rápida’ pode ser devagar, então não tem sentido ser chamada de ‘rápida’, mas sim de ‘geral’". "Mas o que vocês querem dizer com ‘geral’?"...

E assim, caminhando pela cidade fria e quente, com suas subidas e descidas, discutíamos atentos sobre qual nome dar à rua "principal", a "rápida", a "geral", resultando em boas risadas e partilha daquela vinda de Florianópolis, do colorado de Rio Grande e da tagarela de Curitiba.
Pronto, um assunto para o blog.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A obediência a Deus

J.M. + J.T.

A Regra do Carmelo estabelece, no parágrafo 3, que os monges devem escolher um dentre eles para ser o Prior, e que todos devem prometer obediência a ele. Com o passar dos anos, essa virtude foi integrada mais profundamente na vida religiosa, sendo que até os dias atuais os religiosos professam esse voto. Para nós, leigos, a obediência não é tão evidente, uma vez que não temos prior entre nós. Por isso, para entender essa virtude, precisamos entender o sentido, o porquê de a obediência ser tão importante.

A obediência tem sua raiz na compreensão mística de que é Deus quem nos guia através dos nossos superiores. O próprio Jesus instituiu os Apóstolos para serem seus representantes, ou seja, no lugar dos Apóstolos é Cristo quem está representado. Quem recebe a um deles, é a Cristo que o faz. Essa é a compreensão da função dos priores na vida religiosa: eles são representantes de Cristo que prestam um serviço à comunidade.

Assim, para os leigos, quem são esses representantes? Mais próximos a nós, temos nossos padres, confessores, diretores espirituais, que através de homilias e outras atividades nos ajudam a compreender a Palavra de Deus. Mas também os Bispos, o Papa, o Magistério da Igreja como um todo. Ser obedientes a Deus significa que nos submetemos à sua vontade, expressa até nós através da Igreja. "Creio na Santa Igreja Católica", rezamos aos domingos, e se levarmos isso ao pé da letra estaremos sendo obedientes.

Atualmente, a compreensão que se tem da obediência não é mais aquela submissão total, quase cega, medieval. Fala-se em obediência dialogada, o que significa que podemos questionar. A Igreja nunca toma uma posição em qualquer assunto sem ter feito uma longa reflexão. Ser obedientes significa não apenas seguir o que a Igreja diz, mas ouvir suas razões.

Por exemplo, ontem o Guilherminho falou sobre a Semana Nacional da Vida. Todos devem perceber que nos assuntos referentes a Bioética a Igreja tem sido muito criticada atualmente. Estaremos sendo obedientes nesse assunto quando estudarmos, lermos os subsídios da Igreja, irmos atrás de esclarecimentos e no caso de dúvidas. Desobediência é simplesmente criticar a Igreja, como inclusive muitos católicos fazem.

Ser obedientes também é perguntar a Deus o que Ele quer de nós. Para isso, temos várias formas: a oração, direção espiritual, confissão, etc. Não podemos nos acomodar com nossa vida, precisamos crescer nas virtudes. Em última análise, a vontade de Deus é que busquemos a santidade com todas as nossas forças: "Sede santos, porque Eu sou Santo." (Lv 11,44).

Gostaria de encerrar lembrando as últimas palavras de nossa Santa Madre Teresa de Jesus, no leito de morte: "Enfim, morro filha da Igreja". Que o exemplo dela e de tantos outros santos nos ajude a sermos obedientes a Deus e também filhos da Igreja.

Um grande abraço a todos!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Semana Nacional da Vida!

J.M + J.T.





Olá pessoal,

Creio que muitos ainda não sabem, mas desde 2005 na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi instituida a Semana Nacional de Defesa da Vida, de 1 a 7 de outubro e 8 o Dia do Nascituro. Nesse período, as dioceses são convidadas a desenvolver várias atividades em favor da vida. A Declaração sobre Exigências Éticas em Defesa da Vida, fruto da Assembléia Geral, conclama toda Igreja a refletir, em profundidade, através de celebrações, cursos, encontros e seminários sobre temas de bioética, e a se manifestar, sempre que necessário, sobre o valor da vida em todas as suas dimensões. Para ajudar as comunidades a celebrar o grande dom da vida, a Comissão para a Vida e Família e a Comissão Nacional da Pastoral Familiar prepararam cartaz e folder que estão sendo enviados a todas as Dioceses e paróquias. (Dom Orlando Brandes Presidente da Comissão Nacional para a Vida e Família – CNBB)

É interessante que nos aprofundemos e aprendamos sobre um assunto que atualmente é tão discutido, principalmente no âmbito da justiça brasileira!!




Um abraço a todos!!!

Fonte: www.cnbb.org.br

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Santo Alberto de Jerusalém, o Legislador do Carmelo

J.M. + J.T.

Olá, pessoal!

Hoje comemoramos no Carmelo o dia de Santo Alberto de Jerusalém, considerado o Legislador dos Carmelitas.

Santo Alberto nasceu na Itália, no século XII, e foi Cônego Regular da Santa Cruz de Mortara. Pouco tempo após ingressar na vida religiosa, foi nomeado superior de um convento, e em seguida, nomeado Bispo. Entre 1206 e 1214, foi Patriarca em Jerusalém. Certamente nesse período foi escrita a Regra dos Carmelitas, embora não seja possível determinar o ano exato.

Alberto era um homem de muitos estudos e grande exemplo de vida. Durante sua vida, sempre foi chamado a resolver conflitos entre ordens religiosas, que naquela época eram relativamente comuns. Usando o exemplo do Bom Pastor, Alberto sempre conseguiu resolvê-los pacificamente.

No ano de 1214, Alberto foi chamado a testemunhar em um processo contra um homem rico e poderoso, que poderia inclusive acabar na excomunhão desse homem. Mesmo ameaçado, Alberto nunca desistiu de levar o processo adiante, e acabou sendo apunhalado pelo homem rico durante a celebração da Missa, e morreu ali mesmo, cercado dos fiéis que acompanhavam a liturgia.

Ainda em vida, Alberto carregava uma grande fama de santidade. Apesar de não ser um santo de devoção muito conhecida, Santo Alberto tem um lugar especial no Carmelo, inclusive constando na Liturgia Própria dos Carmelitas.

Que o exemplo de Santo Alberto nos ajude a sermos fiéis aos ensinamentos do Evangelho e da Igreja.


Um grande abraço a todos!

sábado, 13 de setembro de 2008

Maria, Mãe de todas as Comunidades!

J.M.+J.T.

Olá, pessoal!!!
Ontem foi falado aqui no blog sobre comunidade e a visão que este elemento tão importante, a vida comunitária, deve ter no nosso dia-a-dia. Pois então; agora imaginem se todos aqueles exemplos dados - os Apóstolos, os eremitas lá do Monte Carmelo, as primeiras comunidades cristãs, etc - vivessem sem a presença de Nossa Senhora!
Maria era a presença que demonstrava esperança e que todos deveriam perseverar. Testemunhou o nascimento da Igreja junto aos Apóstolos, levando uma palavra de conforto e sendo uma presença pacífica entre tantos medos naqueles difíceis tempos. Intercessora daqueles eremitas do Monte Carmelo, foi o exemplo de caridade e de humildade que os irmãos deveriam ter uns para com os outros. Nunca deixou a comunidade carmelita na mão; quando São Simão Stock apela à sua intercessão é a proteção da Virgem do Carmo materializada pelo escapulário que aparece.
E em nossos grupos de jovens e de oração, como é a presença de Maria Santíssima? Lembramos daquela que é Mãe de todas as comunidades em nossos grupos? E em nossas famílias? Rezamos o terço de vez em quando em família?
Partilhe sua experiência ali embaixo em "comentários" ;)
Beijos a todos, com a bênção da Virgem do Carmo, Mãe da Igreja!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

12 de Setembro - Beata Maria de Jesus

J.M.+J.T.

Olá a todos!!!

Hoje, para quem não sabe, celebramos em nossa Ordem Carmelita a memória da Beata Maria de Jesus! Você sabe quem ela foi e o que ela fez?

Maria de Jesus nasceu como Maria Lopes Rivas em uma cidadezinha chamada Tartanedo, na Espanha, em 1560. Se você fez bem as contas e sabe alguma coisinha da história da Ordem do Carmelo, deve ter se dado conta que ela teve a graça de conviver com Santa Teresa! Pois sim! Não somente conviveu, como a Santa Madre gostava muito dela e confiava muito nessa santa alma. Dizem que a chamava com carinho de seu "letradillo", que em espanhol, quer dizer algo como "letradazinha", por causa de sua inteligência.

No Carmelo, Maria de Jesus foi enfermeira, sacristã, mestra de noviças e priora. Como priora, foi acusada e caluniada; deposta de seu cargo, agüentou as penas com grande caridade, humildade e paciência.

Faleceu com fama de santidade em 13 de setembro de 1640 e foi beatificada pelo Papa Paulo VI em 1976.

Era muito devota do Sagrado Coração de Jesus e sua espiritualidade está muito marcada pela participação efetiva dos mistérios de Cristo propostos pela sagrada liturgia. Por isso, ela pode ser um exemplo para nós jovens, que, às vezes nos sentimos desanimados a irmos na Missa e participarmos dela... Ou às vezes não rola uma preguiça? Se não, que bom! Mas se sim, lembremos que é ali que Deus se dá de todo a nós, pelo Cristo Eucarístico. Tantas vezes assistimos à Missa e não celebramos, não é? Peçamos a intercessão da Beata Maria de Jesus para que mais vezes possamos celebrar os Mistérios de Deus como deveríamos!

Beijos a todos e até a próxima!

O Carmelo e a Comunidade

J.M. + J.T.

Olá!

Os primeiros monges no Monte Carmelo, como todos lembram do Castillo, viviam separados, moravam em cavernas, e passavam a maior parte do dia em solidão. Mas a vida carmelitana também tem o aspecto comunitário: ela diz que os irmãos devem se reunir diariamente para as refeições e orações, fala do respeito que todos devem ter com o prior e o prior deve ter com todos, fala das propriedades comuns, entre outros pontos.

A vida em comunidade sempre foi uma marca das comunidades cristãs. Os Apóstolos viviam em uma comunidade (por vezes cheia de problemas), os cristãos dos primeiros séculos também. Até os dias atuais, grande parte das ordens religiosas busca a santidade por meio desse estilo de vida. E o que a comunidade tem de tão especial? A razão para isso é muito simples: "se alguém disser: Amo a Deus, mas odeia seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê" (1Jo 4,20).


E no nosso caso? Os leigos não vivem em comunidade. Quem pensa assim, está enganado: a família, nossos amigos de grupo de jovens, colegas de aula ou de trabalho, todos formam comunidades. Para exercitarmos nossa vida em comunitária, precisamos aprender a conviver com aqueles que pensam diferentemente de nós, precisamos superar nossos problemas familiares (e quem não os têm?) com diálogo, aprender a trabalhar em equipe no emprego, na aula, no grupo de jovens, etc. Além disso, precisamos ver nossa paróquia inteira como uma grande comunidade, evitando disputas entre grupos da mesma Igreja, respeitando o trabalho e a vocação dos outros movimentos, etc.

Assim, gostaria de deixar esse convite a olharmos nossas comunidades como um aspecto de nossa vocação como carmelitas leigos. Que a Santíssima Trindade, a única comunidade perfeita que existe, nos ajude nessa difícil missão.

Um grande abraço a todos!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Natividade de Nossa Senhora

J.M. + J.T.

Olá, pessoal!

Hoje celebramos o dia da Natividade de Nossa Senhora. Esse dia é dedicado à meditação do Plano de Salvação de Deus, que começou não com a Encarnação de Jesus, mas com o nascimento de Sua mãe, concebida sem pecado. Em Maria, Deus preparou uma casa especial para a morada de Seu Divino Filho.

Nós, no Carmelo, temos uma devoção especial com Maria. A ela foi dedicada a antiga capela no Monte Carmelo, construída pelos antigos monges, e da qual resta apenas o alicerce. Que Maria seja também o alicerce de nossa vida espiritual: meditando sobre sua vida, imitando suas virtudes, conhecendo e amando a Jesus como ela fez, podemos também nós chegar à santidade.

Deixo aqui os versos de uma antífona dedicada a Nossa Senhora, que faz parte das orações da noite (Completas) da Liturgia das Horas:

Ó Mãe do Redentor, do céu ó porta
ao povo que caiu, socorre e exorta,
pois busca levantar-se, Virgem pura,
nascendo o Criador da criatura:
tem piedade de nós e ouve, suave,
o anjo te saudando com o seu Ave!

Que a Virgem do Carmo acompanhe a cada um de nós em nossa caminhada.

Um grande abraço a todos!

domingo, 7 de setembro de 2008

Mais uma!

Boa noite pessoal!!!

Depois de apenas ler as postagens de nossos amigos, vim aqui para também me apresentar a vocês... afinal, assim como eles, passarei a postar aqui no blog, contando experiências vividas aqui em minha cidade, bem como aquelas que partilhamos juntos como Juventude Carmelitana!!

Sou a Tassi, moro em Curitiba e participo do Grupo de Jovens Carmelitas Vencedores em Cristo desde sua fundação, há 10 anos... É! Faz tempo hehe!

Tentarei colocar aqui um pouco da minha experiência no Carmelo, além, é claro, de contar aquelas coisinhas básicas que tenham acontecido em retiros e encontros da JUCAR...hehehehe!!!!

Prazer em conhecê-los!! hehe!!

Que aVirgem e Formosura do Carmeloi ilumine a cada um de nós...
Até a próxima!!!!

sábado, 6 de setembro de 2008

Senequita!!!


Olá pessoal...

Aproxima-se o senequita.. aquele que foi o primeiro retiro criado pela Juventude Carmelitana.Um momento para encontro, confraternização da Juventude e acima de tudo aprofundamento da espiritualidade carmelitana...

Este ano, em sua 13ª edição, o Senequita acontecerá nos dias 24, 25 e 26 de Outubro aqui em Florianópolis e será dedicado a Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada face...

As cidades em preparação ao retiro, promoverão tarde, encontros, aí mesmo na sua cidade, para que todos cheguem conhecendo um pouco mais sobre esta santa...

Aqui em Floripa os preparativos estão sendo feitos... aguardamos todos com muita ansiedade e de braços abertos, para que mais uma vez tenhamos momentos de estudo, oração, fé e fortificação de nossa Juventude....

Continuaremos postando mais sobre os preparativos em cada cidade...
Um Bom Final de Semana a todos!!!

Maria, em obséquio de seu Filho!

J.M.+J.T.

Olá!!!

Hoje, como é sábado, convido novamente a todos a olharmos mais de perto para Nossa Mãezinha! Ela que nunca esqueceu de nós, carmelitas, hoje deve ser lembrada por todos de modo de especial.

Como Mãe do Cristo, ensinou seus primeiros passos - vocês já imaginaram o Menino Jesus bem pequeno, agarrado às mãos de Maria, tentando andar sozinho? Porém, quando chegou o momento apropriado, foi ela mesma que deu o primeiro passo: "Fazei tudo que ele vos disser", foi o que ela disse nas Bodas de Caná [Jo. 2, 5]
De fato, deve ter sido confuso - pelo menos aos olhos humanos - como uma jovem seria mãe do Salvador... Um projeto de vida e um casamento quase deixado para trás, para, de uma hora para outra, dar um Sim a Deus. O que ela fez, na sua humildade, foi seguir os passos do seu Amado Filho, sendo sua primeira e predileta discípula, até a Cruz. A Virgem Imaculada, portanto, é nosso modelo de desapego, de humildade e de caridade - e não são essas também as virtudes que Santa Teresa nos lembra no "Caminho de Perfeição"? Quem vive essas virtudes, vive em "obséquio de Jesus Cristo", como já foi colocado aqui no blog ontem.

Uma vez disseram a Jesus que sua família desejava vê-lo, em meio à multidão, mas não conseguia chegar perto. O que Jesus respondeu? "Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática." [Lc. 8, 21] Não quer dizer, obviamente, que Cristo menosprezava a própria mãe, longe disso; o que ele queria dizer é que aqueles discípulos que estavam ouvindo suas pregações e nós que ouvimos e praticamos o Evangelho hoje, somos tão da família d'Ele quanto era a Virgem.

E nós jovens carmelitas: como estamos colocando em prática a Palavra de Deus? Estamos sendo da "família" de Jesus?

Beijos e até mais!

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Viver em Obséquio de Jesus Cristo

J.M. + J.T.

Olá, pessoal!

A Regra Primitiva dos Carmelitas diz que o objetivo dos eremitas no Monte Carmelo é viver "em obséquio de Jesus Cristo" (citando 2Cor 10,5). Mas o que significa viver em obséquio de Jesus Cristo?

Segundo o dicionário, obséquio significa favor, serviço. Viver em obséquio de Jesus significa fazer as obras que agradem a Ele, seguir os 
ensinamentos dele. Claro, isso depende da vocação de cada um. Os padres vivem em obséquio de Jesus Cristo administrando os Sacramentos e atendendo ao povo, os religiosos, consagrando sua vida em oração e trabalho apostólico, e assim por diante. E nós, membros da Juventude Carmelitana, como podemos viver em obséquio de Jesus Cristo? 

Em primeiro lugar, para entender o que Deus espera de nós, precisamos ler e meditar sobre os Evangelhos, onde os ensinamentos de Jesus aparecem mais diretamente. Existem alguns textos-chave, como as Bem-Aventuranças (Mt 5,1-12), ou o Discurso Apostólico de Jesus (Mt 10,1-42), que se adaptam facilmente a nós. Além do Evangelho, temos também o exemplo de nossos santos: Santa Teresa, São João da Cruz, Santa Teresinha, ou qualquer santo de nossa devoção: conhecendo a vida deles, podemos seguir seus passos, e certamente não nos perderemos.

Comecemos então como Santa Teresinha: nas pequenas coisas. Sendo firmes na oração diária (mais importante do que a quantidade de orações que rezamos por dia, é ter o hábito de rezar diariamente), praticando a caridade com os que necessitam de nós, sendo pacientes e aceitando os que são diferentes de nós. Coisas simples, que podemos praticar facilmente, só precisamos tornar isso um hábito. À medida que essas virtudes forem brotando em nossas vidas, certamente Deus nos pedirá tarefas maiores. Lembremos que Ele mesmo disse que "quem é fiel no pouco, o será também no muito" (Lc 16,10).

Deixo então esse convite a refletirmos sobre o que significa para cada um de nós viver em obséquio de Jesus Cristo, e como podemos alcançar isso. Que o Espírito Santo nos ilumine nessa caminhada.

Um grande abraço a todos!